TITO

Eu sonho com um dia em que poderemos crescer em uma sociedade madura, onde ninguém será ‘normal ou anormal’, apenas seres humanos aceitando todos os outros seres humanos — prontos para crescermos juntos.

Tito Mukhopadhyay

Tito Rajarshi Mukhopadhyay

Tito Rajarshi Mukhopadhyay

Tito Rajarshi Mukhopadhyay nasceu em 1989 na Índia. Naquela época e naquela região, os recursos disponíveis a uma família com um diagnóstico como o de Tito eram quase inexistentes. Os médicos disseram que ele tinha autismo severo ou de baixa funcionalidade e não verbal. Um médico disse a Soma, sua mãe, que apenas o mantivesse ocupado. Ela obedeceu.

O texo de Tito é bem curto, então eu vou aproveitar para me colocar sob a luz dos holofotes desta vez, pelo menos na narrativa, e falar dessa família que está no alicerce de uma pequena revolução por aqui.

Voltando aos protagonistas, sem ter uma metodologia para seguir e sem profissionais por perto que lhe dessem as diretrizes e recomendações de um tratamento já existente, Soma agiu como lhe pareceu apropriado e foi seguindo os avanços de Tito, sempre obediente ao médico, mantendo Tito ocupado.

Foi assim que nasceu o protótipo do método Soma-RPM e do que viria a ser a organização sem fins lucrativos HALO. RPM é acrônimo de Rapid Prompiting Method, algo como “método da indução rápida”. Por meio dele, autistas sem fala ou com fala limitada, aprendem a comunicar-se, primeiro apontando para letras em uma prancheta e, mais tarde, usando aplicativos em tablets e digitando no computador. Mas para mim, o maior diferencial do método criado por Soma, é ver o autismo de uma forma nova, muito mais alinhada com os ideias do movimento pela neurodiversidade, que repudiam o paradigma do autismo como tragédia social, pois na base do método, dando sustentação a todo o aprendizado, está a máxima de que não importa o quanto o indivíduo pareça inapto a aprender ou entender, sempre deve-se presumir competência intelectual intacta. Soma-se a isto o respeito pela individualidade de cada aluno e de sua forma particular de aprender.

Sem o método criado por Soma Mukhopadhyay, alguns dos autistas que eu já traduzi aqui no blog e muitos dos que sigo por outros blogs, não teriam uma voz. Estariam ainda em silêncio, sendo vistos por todos como intelectualmente e cognitivamente incapazes ou deficientes. Aqui no autismo em tradução, até esta data, as pessoas que conseguiram sair do silêncio graças a terem sido apresentadas ao método são a Amy Sequenzia, o Ido Kedar, a Emma Zurcher-Long e agora, o Tito Mukhopadhyay.

Tito tem hoje vários livros publicados. Ele e sua mãe vivem em Austin, no estado do Texas.

O texto de hoje saiu originalmente no blog “The Art Of Autism”.


O autismo é meu destino

Tito Rajarshi Mukhopadhyay

O autismo é tão natural para mim quanto o “tipicalismo” é para outros. Portanto, não há auto-julgamento quanto a isso ser bom ou ruim, certo ou errado, sofrimento ou êxtase. O trabalho de julgar eu deixo para os especialistas e sigo levando minha vida. Não posso ser o gerente do pensamento alheio para dizer-lhes o que ou como pensar.

O autismo é meu destino. O destino deve ser cumprido —  não combatido. Podemos chamar a palavra “destino” de “sorte” ou “fado”. Se o autismo é minha trajetória, deixe-me percorrê-la bem, deixe-me entender a minha vida caminhando o meu caminho.

Há um dito — “o destino conduz o que consente e arrasta o que resiste”.

Eu prefiro ser conduzido do que arrastado. O autismo não é meu inimigo. Eu não tenho certeza se ainda gostaria de percorrer a trajetória do “tipicalismo”.

Quanto a ser chamado de autista ou pessoa com autismo, para mim, não faz diferença. Não muda a forma como vejo ou penso. Qualquer um dos dois é bom. Bom como o leste, bom como o oeste. A Terra aponta para todas as direções.

Eu não sou o porta-voz das pessoas com autismo ou autistas. Eles têm o direito de resistir o que vem de dentro e o que vem de fora, a palavra ou o mundo.

Não importa.

Tito e Soma

Tito e Soma

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Uma resposta para TITO

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